Tomo a liberdade, neste momento, de reabrir o livro de minha vida. Um pouco tímido, mas o bastante corajoso, meu ímpeto de escrever nunca deixa-me em maus lençóis. Por pretenciosa criação machadiana, assimilo pequenos pensamentos e situações, surge a inspiração... em seguida a transpiração é mental. Juntar as palavras de maneira interessante nem sempre é uma tarefa fácil. Tal inspiração ocasionalmente surge após situações inusitadas, ou traumáticas, irreais, ou mesmo cotidianas. A força de uma palavra não descreve-se nela própria : palavra. Afinal o q é palavra?
Deixando questionamentos para posteridade, concentro-me no palpável.
A união entre os seres acontece de várias maneiras. Podem ter interesses em comum, o que é comum; podem achar que tem interesses em comum, o que é natural; ou naturalmente podem interessar-se em achar-se comuns. Há pessoas que interessam-se pela natureza, e pela naturalidade, outras naturalmente interessam-se no natural. Natura, quê quer dizer natural?
Outras, aí chegando ao nosso caso em específico, têm interesse natural, por tudo. Nem sempre esses interesses são palpáveis. Vejamos se consigo ser mais clara.
A música.
Tens que, de alguma forma, sonorizar. Praticar uma ação. Para os musicistas esse é o principal interesse, mas, pensemos como musicistas, a própria música já existe, em algum lugar, pode ser dentro de nós, da mente, do corpo ou alma. Então, antes de a música existir sonoramente, aos nossos ouvidos, o que é? O que é o que sinto milésimos de segundos antes de soprar uma nota no trumpet? E o que é exatamente que sinto quando esta nota está sendo executada? E quando os milhares de pensamentos desaparecem, durante esta nota, para onde vão? E pq voltam?
Esse é o interesse pelo não palpável.
A magia.
Tens que, de alguma forma, realizar a magia, mesmo ela já existindo, a magia só é magia depois de acontecer. ( Você poderia descrever melhor sobre o assunto.) Então o que é que existe antes da magia? Ou melhor. O que é magia?
Pelo jeito a posteridade já chegou , quantas perguntas!
Por que volta e meia eu sinto um beijaflor voando ao lado de meus ouvidos se ele não existe materialmente. A música e a magia também não existem materialmente antes de serem realizadas, mas estão lá... Onde fica esse lá?
Por falta de um natural interesse comum, que seria Deus, ao meu ver, a humanidade beira insanidade.
Fritjof Capra cita em O Ponto de Mutação que nós sabemos pousar suavemente naves espaciais em outros planetas enquanto não resolvemos questões básicas de trafego intenso.
A poluição absurda causada pela ganância corrupta de petroleiros? Sim, nós temos automóveis movidos à água, que ao trabalhar os motores soltam oxigênio. Sim, nós temos essa inteligência, mas então por que cargas dágua insistimos em despejar toneladas de gases nocivos em nosso ar, deteriorando gradativamente nossa terra, nossa água, sobrando nem ao menos o mineral, já ameaçado nuclearmente?
Soluções paliativas estão a todo momento surgindo, eu mesma penso em utilizar o nylon dos filtros de cigarros para fazer tecido, ou pesticida; Gerar leis de mercado visando a real reestruturação do consumo, como poucos tipos de celulares, ou mesmo apenas um tipo de carregador de baterias; preferencialmente aquelas baterias carregadas cineticamente. Aquelas bicicletas que acendem luzinhas na árvore de natal no shopping não são apenas para tirar fotos com as criançinhas apavoradas. A iniciativa de disponibilizar a um preço um pouco mais acessível sacolas recicláveis é muito honrosa... Desculpe-me, mas parece-me nojenta após ver que o tecido é fabricado a partir de um algodão, que você não imagina, é um algodão do mal. No site da Embrapa vc pode ler: http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Algodao/AlgodaoCerrado/agrotoxicos.htm
Quando eu entendo o assovio do pássaro pela manhã não é que eu seja mais sensível que as outras pessoas. Apenas estou tirando a cera dos meus ouvidos. A cera que cobre os ouvidos, olhos e enfim toda a pessoa chama-se ilusão. É ilusão achar que está ajudando a comunidade de Morretes comprando balas de banana “aviãozinho” e cachaça fabricadas artesanalmente: a mão de obra é escrava, e sem medo de dizer: Escrava! O Cultivo da banana, da maneira como é feito na região do litoral do Paraná, é uma insanidade, secretaria de desenvolvimento territoral e agricultura familiar, ministério do desenvolvimento agrário : quem são? E nós mais escravos ainda nos tornamos ao ingênua e burramente iludirmo-nos com a falsa caridade. Esmola não dá futuro, doe à uma instituição caridosa. Sim, doemos 50 por centos de nossos lucros, como se ensina em escrituras sagradas, à caridade, enquanto Zilda Arns descansa após longa jornada aqui na Terra.
Sim. Tenho palavras duras. Pensamentos mais duros ainda. E temo que daqui um pouco não haja mais a água mole para furar essa carapaça dura de indignação.
Coma menos, beba mais água. Fique mais tempo em silencio, não ligue a televisão, se for dormir, durma, se for andar, ande, se for correr, corra. Não se engane por mais um segundo na cama se tens um dia glorioso pela frente. Existe uma força imensurável dentro de ti que está sendo sugada pela máquina maldita chamada globalização. Ouvir seu coração não quer dizer que você tem ser mais caridoso ou mais gentil, óbvio que isso acontecerá se deixares seu coração falar, mas ouvir o coração também quer dizer ouvir o que sua essência tem a te dizer. E não espere uma voz parecida com a sua, ou uma voz querida que diz o que queres ouvir, normalmente quando seu coração fala você sofre, por que seu coração sofre o tempo todo com o que fazes para ti e para o planeta.
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